| Bispo de Itabuna leva reivindicações ao governador Wagner |
O bispo da diocese de Itabuna, Dom Ceslau Stanula, apesar de negar qualquer interesse em disputas, revela que não deixa de levar adiante suas reivindicações aos homens públicos. Foi assim, por exemplo, no último encontro que teve com o governador Jaques Wagner, em Bom Jesus da Lapa.
Nesta entrevista ao Diário Bahia, ele
comenta sobre o envolvimento de alguns religiosos com a política. Para o líder
católico, sua missão vai muito além, por atingir a consciência das pessoas.
Mesmo assim, recorda a repercussão que sua fala causou, no último dia 19 de
março, quando teceu severas críticas à Saúde de Itabuna, diante de vários
representantes políticos. Alguns até supuseram que ali havia uma intenção de
mergulhar nesta seara.
O senhor tem interesse em mergulhar também na política em Itabuna?
Não. Nunca tive, nem tenho, nem é minha
missão me misturar com a política. Eu sou da política de Jesus Cristo. Não sei
quem foi o engraçadinho que colocou num desses jornais, não sei qual, que eu sou
candidato a vice não sei de quem. Ninguém me procurou, não pensei nem pensarei e
morro não sendo candidato pra coisa alguma. Eu sou candidato para Jesus Cristo,
eu sou muito mais do que candidato porque sou bispo da diocese. Não só de
Itabuna, mas desses 19 municípios. Eu sou muito mais do que pensam por aí. Eu
vou ser secretário? Pelo amor de Deus.
“A missão do padre é muito maior, mais abrangente do que a
missão de um político”
E qual a sua opinião sobre os padres que entram na política?
Eu não apoio e a Igreja também não
apoia. A Igreja deixa a liberdade, porque cada um é brasileiro e sabe o que faz,
mas ao mesmo tempo sabe qual a missão do padre. A missão do padre é muito maior,
mais abrangente do que a missão de um político. Não quer dizer que eu estou
desmerecendo a missão do político. Mas eu digo: o político tem uma missão e o
padre tem uma missão totalmente diferente. Eu diria muito mais abrangente,
porque ele trabalha na área da consciência das pessoas, pregando a palavra de
Deus.
O seu pronunciamento no dia da procissão de São José revelou uma posição política sua...
Não esperei que fosse ter essa
repercussão, por mais que agradeça a Deus que foi, porque isso já deu resultado.
Pelo menos, a classe política mais se interessou pela questão da Saúde aqui na
cidade, mais se interessou pela questão da violência... As minhas palavras não
foram dirigidas para o prefeito, mas para a classe política de todos os
escalões. Porque o prefeito não pode resolver todas as coisas. Para isso estavam
lá os deputados para dirigir-se também ao governador.
O senhor busca levar adiante as suas reivindicações quanto às carências da cidade?
Estando agora em Bom Jesus da Lapa, eu
aproveitei que o governador estava lá num encontro fechado com os responsáveis
pelo santuário e apresentei novamente a situação de Itabuna. Novamente falei com
ele sobre a situação da Saúde, da violência e da BR-415, trecho
Itabuna-Ibicaraí. A conversa foi franca, muito sincera e eu diria que até
bastante, porque conversamos mais do que 10 minutos. Sobre o problema da
estrada, isso já é questão fechada, são só dias para iniciar. Quando se trata da
Saúde, ele garantiu transmitir toda essa preocupação para o seu secretário
[Jorge Solla]. Mas também depende muito das forças aqui de Itabuna para resolver
esse problema. Então, eu não estou dormindo no ponto. Eu não publico, mas estou
agindo.
Essa é a sua maneira de intervir nas questões que o senhor percebe...
Isso não é fazer política, é meu dever
como pastor: cuidar também do bem-estar das pessoas que compõem a minha diocese.
Por isso, nesse sentido não estou me guiando pelos sistemas políticos.
Simplesmente, apelando para aqueles que podem [resolver]. Nesse sistema que nós
estamos vivendo tudo passa pela classe política. Então, apelar para a classe
política é um ato político também, mas motivado pelo evangelho. Reclamar a quem
de direito.
“Eu não estou dormindo no ponto. Eu não publico, mas estou
agindo”
|
Páginas
▼
Pages
▼

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não será permitido, nenhum comentário, constando ofensa, calunia. Preconceito de qualquer gênero.